Quantas quebras catastróficas na sua planta já poderiam ter sido evitadas com uma simples troca de graxa feita na hora certa?
A lubrificação costuma ser tratada como a tarefa mais simples da manutenção, mas, é uma das causas raiz mais recorrentes de falha em rolamentos, motores e redutores.
Foi esse o ponto de partida do DynaTraining: Jornada da lubrificação industrial: do conceito ao plano de ação, evento online que reuniu três especialistas ao longo de três dias para tratar a lubrificação como o que ela realmente é: uma disciplina de engenharia, com ciência, gestão e método próprios.
A seguir, veja o resumo dos principais tópicos que foram discutidos nas aulas.
Dia 1: o que a tribologia explica sobre as falhas que você não vê?
Thiago Lopes, gerente técnico da Lubrin, começou pela base científica: a tribologia, ciência que estuda o atrito, o desgaste e a lubrificação.
O ponto de partida é que superfícies metálicas perfeitas não existem. Mesmo peças polidas têm rugosidades microscópicas, e sem um filme lubrificante adequado, esse contato gera calor e partículas de desgaste que aceleram o dano.
A proteção depende de três tipos de película, por viscosidade, reação química ou suspensão sólida, que atuam em diferentes regimes de funcionamento, do contato direto metal-metal (regime limite) até a separação total das superfícies (regime hidrodinâmico).
Thiago também explicou que óleos e graxas são compostos por óleos básicos, aditivos e, no caso das graxas, um espessante que retém e libera o óleo sob trabalho mecânico.
Todo esse ciclo depende do controle rigoroso de contaminação por partículas e umidade, algo diretamente ligado a parâmetros como os da ISO 4406.
Dia 2: por que erros simples de lubrificação custam vidas e milhões?
Renadson Amorim, cofundador do Portal da Inspeção, mostrou o outro lado: o impacto real de uma lubrificação mal executada.
Ele citou dois acidentes aéreos causados por óleo oxidado e graxa envelhecida que obstruíram pontos críticos de lubrificação, evidenciando falhas de manutenção e prazos estendidos além do limite seguro.
Usando a curva P-F, Renadson mostrou por que a lubrificação de excelência age antes do ponto de falha, enquanto técnicas como análise de vibração, termografia e análise de óleo detectam defeitos que já existem.
Ele reforçou o paradoxo do setor: lubrificantes representam de 1% a 3% do orçamento de manutenção, mas respondem por mais da metade das falhas de rolamento, e listou erros recorrentes de campo, como graxa contaminada, bujões folgados, bicos de pistola sujos e ordens de serviço genéricas sem quantidade ou frequência definidas.
Dia 3: como estruturar um plano de lubrificação do zero?
Para fechar, Caio Kaizer, engenheiro de confiabilidade na Vale, apresentou um roteiro para montar um plano de lubrificação: mapear os ativos até o ponto de lubrificação, cruzar recomendações de fabricante com dados reais de campo, entre outras etapas.
A partir daí, entram a escolha entre óleo mineral e sintético, a padronização dos lubrificantes em estoque e o cálculo técnico de quantidade e frequência por ativo.
Na execução, Caio destacou a importância de calibrar pistolas e bombas e montar rotas lógicas em conjunto com quem executa o trabalho.
E fechou com um recado de gestão: acompanhar indicadores reais de campo e tratar a lubrificação como carreira técnica, não como porta de entrada temporária.
O que fica desse DynaTraining?
Os três dias mostraram que lubrificação envolve ciência de materiais, gestão de risco e engenharia de processos ao mesmo tempo.
Entender a tribologia por trás do desgaste, reconhecer os efeitos reais da falha e saber estruturar um plano com diagnóstico e indicadores são etapas de um mesmo caminho: transformar uma tarefa vista como simples em uma das estratégias mais eficazes de confiabilidade industrial.
Se você ainda não assistiu ao DynaTraining, comece agora mesmo: as aulas estão disponíveis aqui, na íntegra para você se aprofundar.
